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Marca-te · unha · ribeirana!


Memorias dunha tolinha que vive entre gatos e bailes

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Roubar ao tempo umhas poucas horas para ficar soa na casa, desfrutar do silencio e a soledade, limpar freneticamente e desejar que dure até manhá, nom sentir mais nojo da minha cozinha, nom atopar outro queijo de cor rosa, um freganço cheio de vermes ou restos de atum no fundo do forno. Desejar ter um fogar no que sentir-me bem, segura. No que poder ir espida se me peta, bailar se me peta, berrar se me peta, foder com o meu moço sobre a mesa da sala, na banheira ou no corredor se queremos, porque queremos. Nom atopar cabelos alheios no lavadoiro cada manhá, o retrete aberto, louça mal lavada.
Quero que a nossa casa seja nossa, ainda que seja dalgumha promotora de nome raro.
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Coldplay - Rainy Day
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A angústia de pensar que a esta hora nom há autocarros ou comboios que saiam da cidade, que estás atrapada e que tardarás horas em ficar dormida.
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Agora que rematei os exames e nom tenho muito do que preocupar-me, aproveitei para escapar umha fim de semana a Compostela para, basicamente, nom fazer nada. Comer, foder, dormir, os componentes necessários para umha terapia de relaxaçom e desconexom absoluta do mundo real.
Por nom fazer nem sequer visitei aos conhecidos que tenho alá, e isso que os tinha a 5 minutos da casa, mas... Sair da cama? Verticalidade? Roupa? Dava-me preguiça só de pensá-lo.
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Só há umha imagem que me aterre mais que a face dum toureiro em plena matança: a face dum neno toureiro.


Gastam 5000€ destinados a mulher em umha escola taurina para crianças a partires de 5 anos

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Mochila de Darth Vader.
Lunch box de Boba Fett.

Som um estereótipo com patas.

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Marcha a semana santa e fica um ar limpo, gracias a necessária chuva. Vigo amanece amável, calmo, com um ceio que convida a deixar o abrigo no armário. Eu volto as aulas diarias, a espertar com a radio, a almoçar vendo polo balcom, pensando em ti.

Sinto-me completa e satisfeita, podo descansar e viver.

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Chove durante toda a fim de semana e te alegras, porque é a excusa perfeita para nom sair. Nom tés que inventar um motivo, nom tés que dizer-lhe a ninguém que ficas na casa porque estás moi ocupada, porque tés trabalho da escola, porque tés umha gripe repentina. Chove muito e por isso nom saes, ninguém questiona essa resposta.

Ninguém insiste muito já, de facto pouca gente chama para contar-te o plano do sábado porque o último sábado dixeste que nom. E o anterior também, e assim cada sábado nos últimos meses. Algumha gente pensa que nom gostas de sair com eles e já nom chamam, nem perguntam. Alguns pensam que agora saes com outras pessoas, com um grupo novo que te leva a bares novos. Que tens umha nova vida.

A verdade é que a tua vida é umha cassete com a fita enganchada no leitor, e por muito que intentas salva-la só se engancha mais e mais. A tua vida está a quebrar-se por todas partes e nom sabes como para-lo, só congelas aqui e alá todo o que podes, tentas parar o tempo para que nada mais morra diante dos teus olhos.

Sem te decatar, um dia estás fora da tua própria vida. Os teus amigos semelham estranhos, nom podes seguir nengumha conversa, nom entendes as brincadeiras e a gente lembra cousas que ti nom viveste. E quando tentas volver a tua vida, quando tentas ir umha noite ao bar de sempre, com a gente de sempre, nada funciona. Porque ti nom és ti. Ti estás invadida por um parásito que te rouba todo o bom que tés, todo o bom que tinhas. Fai que durmas mais horas que nunca e depois fiques toda umha noite esperta, olhando pola fiestra, agardando que passem os dias. As semanas. Fai que nada te emocione, que nada te faga sorrir ou chorar, só um estado de catatónica saudade pola pessoa que eras antes de que todo começara a torcer-se.

Nom podes curar-te sem mais, nom podes espertar um dia e decidir estar bem, vestir-te e sair ao mundo. Porque o mundo agora é perigoso, escuro, abafante. O mundo está cheio de cousas que te lembram o que eras, o que tinhas e perdeste, todo polo parásito. Polo veneno que envolve a tua cabeça, que te rouba a energia e a gana de viver. Que te fai pedir ajuda com voz muda, sempre na direcçom equivocada.

Só quero que alguém me salve.
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O outro dia fum ao Carrefour para mercar algo de roupa barata para a Marcha Zombie, que vai ser a pequena compensaçom que me fará esquecer que este ano nom pudem celebrar o entroido como mereço. Porque eu mereço celebrar o entroido por todo o alto, isso é algo que todos os que me conhecem sabem.

O caso é que no Carrefour, e no centro comercial que o arrodeia, da-se umha espécie animal que sempre espertou a minha curiosidade: moços e moças que passeiam. Sendo o centro comercial um sítio concebido para o consumo irracional e multitudinário, nom compreendo que leva a essa gente a passar horas alá metidos, num dia de climatologia amável, sem consumir absolutamente nada. Nem comida, nem roupa, nem umha entrada para o cinema. Só passam a tarde aí, chuchando ácaros do ar acondicionado e falando na reverberaçom característica dos centros comerciais da cidade.

Eu, que tivem a sorte de ter um pequeno jardim ao carom do meu edifício, passei muitas tardes da minha infância entre terra, erva e buxo. Também tínhamos que compartir espaço com os carros dos vizinhos, porque parte do jardim era o estacionamento, mas nom eram poucas as possibilidades lúdicas daquela pequena porçom de jardim. Depois, na adolescência, eu já vivia no centro da cidade, longe daquele jardim que me era seguro e familiar, mas ainda assim passei muito tempo com o sol, ou as nuvens, por teito. Se algumha vez tivem gana de passar umha tarde no centro comercial, que daquela ainda era umha novidade porque nom cresciam coma fungos, tardei pouco em descobrir que nom havia muito que fazer em eles. Mercar, comer e ver filmes, mas botar a tarde? Nom, para isso tínhamos os parques, as praças, algum portal ou o Sherwood e os seus bilhares tortos se ia mal tempo.

Nom entendo, e nunca entenderei, que leva a mocidade viguesa a pechar-se em urnas de vidro e metal durante tantas horas, nem de quem é culpa que nom estejam a desfrutar do ar limpo, do sol, da chuva, dos jardins que temos na cidade. Por que esses centros estám cada dia mais cheios e em Castrelos só param os velhos e os atletas?
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A passada semana pensava que tinha gripe. Umha visita a urgências mais tarde descobrim que o que tinha, e tenho, é mononucleose.

Que é a mononucleose? Umha merda é o que é, umha merda molesta e difícil de curar que, ainda por riba, caiu-me em plenos exames. A mononucleose doe coma a gripe, afoga coma a bronquite e dura coma as duas umha detrás da outra. Dormes 10 horas e espertas com a necessidade de dormir outras 5, bem porque passas-te toda a noite tossindo, bem porque estás mareada. E se tentas comer para recuperar-te do mareio, mareias-te mais e tés náuseas. O dito, umha merda.

Desde há dous dias tenho a tensom baixa que é normal em mim (baixa de "mareio-me se me levanto moi rápido", nom de "vivo ao bordo do desmaio") e a dor muscular está quase desaparecida, se nom contamos a terrível dor que me está a produzir a nova moa do siso que pensou que esta era boa semana para nascer. Sim, moa, nace, desgarra-me a boca, nom tenho problema em alimentar-me a base de sopas, só estou tentando recuperar-me dumha mononucleose. Polo demais, a febre também desapareceu e só queda o assunto respiratório. Assunto consistente em que respiro mal.

Curiosamente, o que mais me molesta nom é respirar mal. Nom foi a vía que me abrirom no hospital, nem as 4 horas que me figerom passar numha cadeira de rodas, mareada como estava. Nom é ter que fazer os exames nas recuperaçons porque agora estou zómbica. O que mais me tocou as bolas (entenda-se por bolas as minhas bolas, isto é, os meus ovarios, que som bolas inda que nom pendurem) foi a cantidade de gente que lhe botou as culpas a minha dieta. Som vegana, sim, mas que tem que ver isso com que me contagiaram um vírus? Que tenho as defesas baixas? Que estou débil e sou propensa a ter enfermidades? Mentiras, comentários oportunistas dos ignorantes que nada sabem do veganismo, do coidado que tivem sempre (e que sigo a ter) a hora de elegir o que me levo ao estômago.

A próxima vez que vaiades culpar de algo ao estilo de vida vegano, pensade: conheces todos os ingredientes do que comes? Sabes de onde vem o que metes no teu carro da compra? Sabes realmente com que estás a cozinhar a tua saníssima dieta omnívora? Eu, ao igual que outra muita gente, vivo numha rutina de ler ingredientes e embalagens antes de levar-me nada a boca. Antes de mercar nada. Antes de pedir nada num restaurante. E nom remata aí.

Leio informaçom sobre alimentos que muita gente desconhece, informo-me sobre novas maneiras de preparar os vegetais para provar novos sabores e preservar os seus nutrientes. Fago-me análises de sangue periódicos para comprovar que todo vai bem, que nom me falta ou me sobra nada. Quando foi a última vez que figeste um análise de sangue?

Nom estou enferma por ser vegana. Nom tenho anemia, nem carência de B12 ou proteínas, e nom vou morrer débil e murcha por nom comer animais. Estou enferma porque alguém me contagiou o vírus do Epstein-Barr, culpável da mononucleose. Quando saiba quem foi, já o castigarei devidamente. E nom, nom sou menos vegana por desejar a morte do vírus que me provocou esta doença. Nom sejades gilipollas e imos levar-nos todas bem.
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Levo desde a terça loitando contra umha gripe que chegou disfarçada de resfriado, quase de alergia primaveral, para converter-se em dor e sofrimento a quarta-feira. Já sei, já, é umha gripe. Todo o mundo tem gripes e nom é para tanto. O problema é que eu estou em plenos exames, que tenho um stress grande e gordo, e que estou acumulando muitas faltas de assistência em umha matéria que só tenho quintas e sextas (e sim, quinta e sexta estou a passar da cama ao sofá, do sofá a cama, com os bolsos cheios de lenços usados).

Por outra banda, o período depressivo que me brindou a gripe nos últimos dias fixo-me limpar compulsivamente, polo que o meu quarto é digno dumha recepçom real. Já podia ter a gripe umha etapa de concentraçom aumentada para poder estudar todo o que nom estudei nos últimos 6 dias.

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Tool - Rosetta Stoned
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